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Que perguntas fazer a uma clínica antes de reservar um tratamento no estrangeiro?

Resposta curta

As perguntas que protegem quem vai tratar os dentes noutro sítio são poucas e são sempre as mesmas: quem é o estabelecimento, quem é o médico dentista, que material entra na boca, e o que fica escrito. Aqui está a lista, e a razão de ser de cada linha. Todas as respostas se pedem por escrito.

§ 01

Por escrito, ou não serve de nada

Uma lista de perguntas só vale se as respostas chegarem por escrito. De viva voz, tudo soa bem e nada fica. Por escrito, quem responde pensa duas vezes, e quem pergunta fica com um documento para comparar mais tarde com o que realmente aconteceu.

Bastam algumas linhas escritas. Nem linguagem formal nem advogado: basta enumerar as perguntas e pedir a resposta no mesmo sítio. O tempo e o cuidado da resposta já dizem alguma coisa, antes mesmo de se ler o conteúdo.

Numere as perguntas e deixe um espaço por baixo de cada uma. A resposta volta alinhada com a pergunta, e vê-se sem esforço qual ficou sem resposta. Costumam ser as que mais contavam.

§ 02

Bloco 1 — o estabelecimento

O nome legal da entidade e o seu número de identificação de pessoa coletiva. O número de registo do estabelecimento onde o tratamento vai ser feito, e o número da sua licença de funcionamento. A morada exata, com código postal. E o tipo de cuidados para que essa licença foi concedida.

Estas respostas existem e são públicas. No caso do Instituto AreLuna, o estabelecimento onde são prestados os cuidados dentários é o da Rua de Júlio Dinis, 194, 4050-327 Porto, com o número de registo 161637 e a licença 21593. Uma clínica que hesite em dar isto já está a responder à pergunta seguinte.

§ 03

Bloco 2 — o médico dentista

Quem vai fazer a cirurgia, nome completo. Qual é o número de cédula profissional e que ordem a emitiu. Se é anunciada uma especialidade, com que inscrição. E quem acompanha o processo depois, se a pessoa que operou não estiver disponível.

O diretor clínico do Instituto AreLuna é o Dr. Leonardo Costa Saraiva de Oliveira, cédula profissional n.º 11846, Ordem dos Médicos Dentistas. Um número de cédula existe para ser comparado com a lista pública da ordem, não para fazer boa figura num folheto.

§ 04

Blocos 3 e 4 — o material e os documentos

Que marca, que referência e que número de lote de implante vão ser colocados, e se esses dados são entregues ao doente no fim. A extensão da garantia, a sua duração, e o que a faz perder validade. O que está incluído no valor e o que fica de fora. O número de viagens previstas, e a regra se for precisa mais uma.

O Instituto AreLuna indica usar implantes Neodent by Straumann, marca do grupo suíço Straumann. Vê-lo confirmado no orçamento, com a referência do sistema, é diferente de o ler numa página.

Para quem está na CNS, acrescente uma linha a este bloco: em que forma é feito o orçamento, e se traz os códigos da nomenclatura. O Instituto AreLuna indica preparar o orçamento em francês com esses códigos. O que a caixa espera exatamente, e em que momento, confirma-se junto dela antes de o tratamento começar.

§ 05

O pedido a não fazer

Há uma pergunta que é melhor não fazer: exigir um plano de tratamento fechado antes de alguém ter visto os exames. Nenhuma clínica o pode dar, porque qualquer ato depende de avaliação e diagnóstico individual prévios. Uma resposta rápida e definitiva a esta pergunta é, só por si, um sinal.

O mesmo vale para um valor apresentado como final sem consulta nem radiografia. Um valor de partida é honesto e serve para comparar; um valor final antes do diagnóstico não é honesto nem comparável.

E há um sinal que vale por muitos: uma resposta que insiste para que a decisão seja tomada depressa. Uma decisão de saúde não caduca ao fim de uma semana, e uma marcação que só se mantém se for confirmada hoje diz mais sobre quem a propõe do que sobre o tratamento.

§ 06

Perguntas frequentes

Quantas perguntas ao todo?

Quatro blocos: o estabelecimento, o médico dentista, o material, os documentos. Duas ou três perguntas por bloco chegam. O número importa pouco; a forma escrita da resposta importa muito.

E se a clínica responder a tudo?

Então há um documento para guardar e comparar com o orçamento e com o plano. Responder é o mínimo; o passo seguinte é confirmar os números nos registos públicos.

Isto não atrasa a marcação?

Em geral, não. Os dados pedidos são públicos ou já constam do processo, e o tempo gasto a obtê-los é pouco em comparação com o que se decide logo a seguir.